Tirullipa é condenado por puxar biquíni e tocar nos seios de mulheres durante Farofa da Gkay
Juíza rejeitou tese da defesa e destacou que a participação voluntária em uma brincadeira não autoriza invasões à intimidade ou integridade corporal.
Escrito porRedaçãoproducaodiario@svm.com.br

O humorista Tirullipa foi condenado no último dia 30 de julho a pagar R$ 30 mil em indenização por danos morais a duas mulheres da Paraíba por expor o corpo delas e praticar atos invasivos durante o evento “Farofa da Gkay” em dezembro de 2022. Cada uma das vítimas deve receber R$15 mil.
Everson de Brito Silva, nome civil do humorista, foi condenado em primeira instância. A decisão é da juíza Leila Regina Corado Lobato, da 36ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza. Tirullipa também deve pagar as custas processuais.
O episódio analisado pela justiça envolve o Tirullipa participando, em dezembro de 2022, de simulação da “Banheira do Gugu”, em que os participantes disputam pegar um sabonete dentro da banheira, durante o aniversário da influenciada Gessica Kayane, conhecida como Gkay. As duas mulheres indenizadas estavam no momento do ocorrido.
Tirullipa foi gravado puxando o laço do biquíni de uma das participantes e depois tocou nos seios de outra, tudo sem o consentimento delas.
A juíza Leila Regina Corado Lobato considerou que o humorista “extrapolou os limites inerentes à atividade recreativa” ao desamarrar a roupa de uma participante e tocar partes íntimas de outra.
A magistrada rejeitou as defesas preliminares, destacando que a participação voluntária em uma brincadeira não autoriza invasões à intimidade ou integridade corporal.
Lobato entendeu também que a divulgação dos vídeos em redes sociais e a repercussão dos acontecimentos “agravaram o constrangimento e a humilhação sofridos” pelas duas vítimas. Tirullipa também deve pagar as custas processuais. A decisão cabe recurso.
Em nota, o Tribunal de Justiça do Ceará reafirmou a condenação. ” a Justiça reconheceu violação à intimidade e à dignidade das demandantes durante evento”. E citou que ainda cabe recurso da decisão.
A defesa das mulheres foi feita pelos advogados paraibanos Alex Laurentino, Roberto Nascimento e Roberto Macêdo. “A dignidade da pessoa sempre estará acima da fama. Famoso nenhum irá brincar com o caráter da mulher paraíba. A dignidade da mulher não é entretenimento”, comentou Alex, que reafirmou que o trio recebeu a sentença do TJCE com “serenidade e respeito”.
Defesa do réu
A tese defensiva argumentou que as autoras participaram da dinâmica de entretenimento de forma voluntária, o que, na visão da defesa, afastaria a responsabilidade pelo ocorrido.
O réu defendeu que sua conduta não configurava um ato ilícito. Além disso, ressaltou que a situação aconteceu em um ambiente descontraído ou humorístico, tentando minimizar a gravidade da exposição das autoras do processo.
A defesa também alegou que a ampla divulgação das imagens e a repercussão negativa do episódio teriam decorrido exclusivamente da atuação de terceiros ou da própria natureza midiática do evento (“Farofa da Gkay”), e não de um ato direto do humorista.
O juízo rejeitou todos esses argumentos, entendendo que a adesão à brincadeira não autorizava o desnudamento ou contato físico indevido, e que o próprio réu admitiu publicamente ter “passado do ponto” e “se excedido”
Fonte:https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/

